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17/12/2016

Pastor Silas Malafaia é investigado pela PF na Operação Timóteo



Foto - Divulgação

Ele foi alvo de condução coercitiva e depôs na sede da PF em São Paulo e a  polícia apura se ele praticou lavagem de dinheiro ao receber cerca de R$ 100 mil do principal escritório de advocacia investigado

 

Polícia Federal deflagrou nestas sexta-feira (16), a Operação Timóteo, que investiga uma organização criminosa investigada sob suspeita de corrupção em cobranças de royalties da exploração mineral. Entre os investigados está o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ele foi alvo de condução coercitiva e depôs na sede da PF em São Paulo.

A polícia apura se ele praticou lavagem de dinheiro ao receber cerca de R$ 100 mil do principal escritório de advocacia investigado. O advogado Alberto Lima Silva Jatene, filho do governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), recebeu ordem de prisão temporária expedida pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal.

Também foram presos em Brasília Marco Antônio Valadares Moreira, diretor de procedimentos arrecadatórios do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, a mulher dele, Lilian Amâncio Valadares Moreira, e o advogado Eduardo Moretti e outro cujo nome não foi divulgado. O prefeito eleito de Parauapebas (PA), Darci Lermen (PMDB), está foragido.

Segundo investigadores, o casal apresentou aumento de R$ 7 milhões no patrimônio em curto período. De acordo com a PF, os suspeitos agiam com prefeituras para obter parte dos 65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), que é repassada aos municípios. Em 2015, a medida acumulou quase R$ 1,6 bilhão.

Com informações privilegiadas sobre dívidas de royalties (valor pago pela exploração), o diretor do DNPM procurava prefeituras que tinham créditos da Cfem e indicava dois escritórios e uma consultoria – esta última em nome de sua mulher – que poderiam ajudar os municípios a resgatar os benefícios.

Segundo a PF, os escritórios ofereciam soluções que iam de ações da Justiça a negociações privadas com as mineradoras. O nome da operação é uma referência à Primeira Epístola a Timóteo, da Bíblia: “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição”.

Após prestar depoimento, o pastor Silas Malafaia disse ser alvo de retaliação da Justiça. “Sabe o que é isso? É porque uns dez dias atrás eu falei que sou a favor de uma Justiça independente, forte, mas não absoluta. Retaliação, é isso? Querem aparecer em cima de mim?”, disse. Malafaia afirmou não haver irregularidade no recebimento do dinheiro de investigados. “O (pastor) Michael Aboud, meu amigo há mais de 20 anos, trouxe um membro da igreja dele que é empresário para me dar uma oferta pessoal. Me deu uma oferta de R$ 100 mil, depositada na minha conta, declarada”, disse. “Isso é uma safadeza, uma molecagem”, vociferou.

Fonte: Folhapress










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